Entre a lei e a sociedade – Quando a autorregulação voluntária é mais eficaz do que os regulamentos
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1. Situação Inicial
Ultimamente, cada vez mais jovens e crianças da região têm vindo comprar connosco artigos pirotécnicos da categoria F1, ou seja, produtos permitidos durante todo o ano. Entre eles destacam-se especialmente os Ladycrackers e pequenos artigos de estalido, que apesar da sua classificação possuem um certo nível de ruído.
Do ponto de vista legal, a venda e o uso destes artigos na Suíça são permitidos durante todo o ano. Trata-se, portanto, de um processo totalmente legal, que não sofre qualquer restrição por parte das autoridades.
Decidimos restringir a venda a pessoas recorrentes da vizinhança que compram regularmente artigos pirotécnicos mais ruidosos. A esses clientes, venderemos estes produtos apenas no dia 31 de dezembro ou em outras ocasiões oficiais em que os fogos de artifício são socialmente aceites.
Com isto, pretendemos evitar que esta queima recorrente se torne um tema perturbador e constante na vizinhança e, ao mesmo tempo, promover a consciência para um uso responsável dos fogos de artifício.
2. Decisão voluntária em vez de regulamentação estatal
Esta decisão não foi tomada porque exista uma norma legal. Ninguém nos obriga a isso. Surgiu da reflexão de que a queima frequente, mesmo de fogos de artifício mais silenciosos, poderia ter um impacto negativo no ambiente, devido ao ruído, à perceção ou simplesmente à acumulação destes eventos.
Sabemos que isso, a longo prazo, poderia causar tensões com a vizinhança ou uma má imagem do nosso negócio. Até agora ninguém se queixou, mas queremos evitar exatamente esse ponto.
Assim, surge uma forma interessante de autorregulação. Agimos não por obrigação, mas por responsabilidade.
3. Pressão social como regulamentação invisível
Enquanto as leis estatais são frequentemente sentidas como uma limitação da liberdade, raramente se fala da regulamentação social. No entanto, esta é mais subtil, mas muitas vezes muito mais eficaz.
Ninguém nos diz quando podemos vender fogos de artifício. Mas sentimos a pressão não expressa, as expectativas que surgem do meio social. Consideração, consciência do ruído, respeito pelos vizinhos e a consciência da própria imagem.
Esta forma de pressão não surge de parágrafos legais, mas do conhecimento de como as nossas ações afetam os outros. É a dinâmica moral e cultural de uma comunidade que molda o comportamento, silenciosa, mas de forma duradoura.
4. Entre liberdade e responsabilidade
O fogo de artifício é um símbolo de alegria, expressão e liberdade. Mas é precisamente onde começa a liberdade que surge também a responsabilidade.
A nossa decisão de limitar a venda não é, portanto, uma restrição da liberdade, mas um ato consciente de equilíbrio entre o interesse próprio e o bem comum.
Agimos proativamente, antes que surja um conflito, não porque temos de o fazer, mas porque compreendemos que a paz social não surge apenas pelas leis, mas pela compreensão e consideração.
5. Um espelho para contextos maiores
Este exemplo mostra em pequeno o que muitas vezes é ignorado em grande escala.
As regulamentações estatais são frequentemente vistas como uma intervenção. Mas quase ninguém reflete sobre o quanto as empresas e os indivíduos se adaptam voluntariamente às expectativas sociais, muitas vezes sem coação, apenas pela dinâmica social.
Poder-se-ia dizer que a pressão social é a forma mais silenciosa, mas eficaz, de regulamentação.
Ela molda comportamentos, orienta decisões e define o que é considerado correto, sem necessidade de textos legais.
6. Reflexão final
A nossa pequena decisão de vender fogos de artifício F1 apenas em dias oficiais é mais do que uma regra empresarial.
Representa um princípio.
A responsabilidade não começa apenas quando algo é proibido, começa quando se sabe que se pode, mas se decide conscientemente não o fazer.
Esta é talvez a forma mais honesta de regulamentação que uma sociedade pode criar.